Estratégias do Governo de São Paulo para capacitar o agronegócio diante de desafios climáticos severos

O estado de São Paulo implementa um conjunto abrangente de ações para lidar com os efeitos do fenômeno El Niño, visando proteger a agropecuária local. As estratégias incluem o fornecimento de financiamento rural, subsídios para seguros agrícolas, capacitação de agricultores e agentes públicos, além de um rigoroso monitoramento das condições climáticas. Essas iniciativas são complementadas pelas diretrizes do Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (Pearc) e pela nova Operação SP Sempre Alerta – El Niño 2026/2027, que substituirá a tradicional Operação Chuvas.

Este plano envolve mais de 50 entidades estaduais e contempla 181 ações prioritárias em diversas fases de implementação. Além da prevenção, as medidas visam preparar o estado para enfrentar os impactos decorrentes de eventos climáticos extremos, que afetam significativamente a produção agropecuária, entre outros setores.

“Ao unificarmos nossas ações, potencializamos nossa capacidade de resposta. As emergências climáticas não aguardam, portanto o Estado deve estar pronto para oferecer apoio ágil e minimizar as perdas na agricultura,” declarou Geraldo Melo Filho, secretário da Agricultura e Abastecimento.

Uma das principais ações é o suporte financeiro destinado aos agricultores. Desde o ano passado, o Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) proporcionou assistência a mais de 40 mil produtores, disponibilizando R$ 1,2 bilhão em recursos.

LEIA TAMBÉM: Governo de SP apresenta estratégia de resiliência climática de R$ 29 bi em investimentos

O FEAP oferece diversas linhas de crédito e subvenções para investimentos em produção, como aquisição de tratores, tecnologia, energias renováveis e infraestrutura. Em situações climáticas adversas, o fundo também disponibiliza crédito emergencial para atender os produtores afetados.

Um exemplo recente ocorreu na região do Vale do Ribeira, onde fortes chuvas provocaram alagamentos em setembro. Como resposta a essa situação crítica, o Governo estadual liberou R$ 10 milhões através do fundo.

O FEAP ainda financia projetos voltados à sustentabilidade. Entre esses projetos estão o Irriga+SP, que visa aumentar as áreas irrigadas nas propriedades rurais; incentivos à energia solar; além do apoio a práticas agroecológicas que promovem a conservação do solo e da água. Essas ações incentivam um uso mais eficiente dos recursos naturais e preparam os agricultores para desastres naturais.

Fortalecimento da rede

Em 2026, aproximadamente 3.400 profissionais da Defesa Civil, brigadistas e técnicos participaram das Oficinas Preparatórias para a Operação SP Sem Fogo (OPOE). “A eficácia das ações preventivas no campo depende da colaboração entre o Estado, as prefeituras e os agricultores. Ao capacitarmos as equipes locais e fornecer informações aos produtores, criamos uma rede que protege as propriedades e assegura a produção,” ressaltou Melo Filho.

LEIA TAMBÉM: Linha de crédito do Feap apoia cafeicultor a recuperar fertilidade do solo

A estrutura municipal foi também fortalecida por meio do programa Agro SP + Seguro. Essa iniciativa resultou na entrega de 102 kits destinados ao combate a incêndios florestais, compostos por tratores, roçadeiras, tanques-pipa e sopradores. Além disso, foram disponibilizados 25 caminhões-pipa.

Os equipamentos representam um investimento direto superior a R$ 17,8 milhões. Essa estrutura amplia os recursos disponíveis tanto para ações preventivas quanto para atendimento às ocorrências no campo.

As medidas preparatórias ainda envolvem assentamentos rurais sob a administração da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP). Somente em 2026, produtores de 11 assentamentos participaram de treinamentos preventivos oferecidos pela Defesa Civil e receberam mais de 2.100 itens do Kit Estiagem. Essa iniciativa fortalece as brigadas comunitárias e melhora a capacidade local de resposta frente a períodos prolongados de seca.

Monitoramento

Por meio do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGRO), ligado ao Instituto Agronômico (IAC), dados provenientes de uma rede com 230 estações meteorológicas espalhadas pelo estado foram integrados.

Esses dispositivos monitoram variáveis como temperatura, umidade relativa do ar, precipitação pluviométrica e umidade do solo. As informações obtidas orientam decisões sobre plantio, colheita, irrigação e manejo agrícola além da identificação da probabilidade de eventos climáticos extremos.

LEIA TAMBÉM: Governo de SP cria novo nível de alerta para antecipar resposta a eventos extremos via Operação El Niño

Os dados coletados também são compartilhados com instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e a Defesa Civil.

Essa integração permite acompanhar as condições meteorológicas em tempo real e facilita a emissão antecipada de alertas. Com informações disponíveis antes dos eventos adversos ocorrerem, tanto produtores quanto órgãos públicos podem avaliar riscos e tomar medidas preventivas para mitigar possíveis danos.

By Itatiba Hoje

Você Pode Gostar!