Governo de São Paulo aprimora a metodologia de segurança hídrica e expande ações de prevenção
Na última sexta-feira (19), o Governo do Estado de São Paulo revelou melhorias na metodologia de monitoramento da segurança hídrica para a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Essa atualização estava programada na deliberação do ano anterior e leva em conta as sugestões obtidas durante a consulta pública, além das recentes atualizações nas previsões hidrológicas e a experiência adquirida no primeiro ano de implementação. A nova metodologia será divulgada em uma deliberação da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) na próxima segunda-feira (22). O processo foi realizado em colaboração com a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) por meio do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica.
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Três aspectos principais da nova metodologia
- A inclusão de uma base de dados ampliada, que contempla 15 anos da série histórica sobre o comportamento hidrológico, incluindo eventos climáticos significativos como El Niño e La Niña, especialmente considerando as previsões desses fenômenos para os próximos meses;
- O monitoramento simultâneo dos Sistemas Integrado Metropolitano (SIM) e Cantareira, sendo que este último agora terá uma curva específica;
- A alteração no formato de divulgação das faixas vigentes, que serão definidas em reuniões mensais do Comitê de Integração das Agências, com a emissão de notas técnicas no último dia do mês analisado.
“Hoje estamos apresentando um avanço significativo, resultado de um trabalho estruturado e transparente na gestão hídrica, que faz parte da estratégia climática estabelecida pelo Estado desde 2023. Com essa nova base de dados mais robusta, daremos atenção especial ao Sistema Cantareira devido ao seu comportamento particular. Com essas melhorias, aumentaremos nossa capacidade de prevenção e resposta rápida às mudanças climáticas, garantindo maior resiliência hídrica aos cidadãos paulistas”, declarou Natália Resende, secretária do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística.
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A secretária ressaltou a importância da metodologia na gestão hídrica paulista, que foi essencial para assegurar a preservação do Sistema Integrado Metropolitano em 2025, um ano marcado por baixos índices pluviométricos. “Nossas reuniões ocorrem semanalmente e temos monitorado continuamente a situação hídrica, sempre com foco na prevenção e contingência”, explicou. Desde 28 de agosto de 2025, a GDN tem sido uma medida adotada para proteger os reservatórios, resultando em uma economia superior a 158 bilhões de litros — volume equivalente ao consumo mensal aproximado de 27,65 milhões de pessoas, superando a população da RMSP.
Veja a apresentação das mudanças na metodologia:
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Análise específica do Cantareira
Camila Viana, diretora-presidente da SP Águas, destacou que o Sistema Cantareira possui características distintas em relação ao restante do Sistema Integrado. O período chuvoso neste sistema inicia-se após os demais e se estende até o fim de maio. Em 2025/2026, o Cantareira teve um volume pluviométrico bem abaixo da média histórica (62% da média hidrológica contra 90% em 2024/2025), o que justifica um acompanhamento mais detalhado. “A introdução dessa curva específica para o Cantareira aumenta nossa segurança na análise completa das condições hidrológicas e aprimora nossa capacidade de prever tendências importantes”, comentou.
Faixas operacionais
Diego Domingues, diretor-presidente da Arsesp, esclareceu que as faixas que orientam as medidas emergenciais permanecerão inalteradas. Elas variam entre 1 e 7 e determinam o Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA), assim como a gestão noturna da demanda por períodos variados entre 8 a 16 horas e rodízio entre diferentes regiões. Em todas essas faixas há também estratégias previstas para comunicação com a população.
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“A principal mudança é que antes avançávamos entre as faixas após um período fixo de sete dias e requeria quatorze dias para retornar à faixa anterior. Agora faremos avaliações mensais no Comitê”, detalhou Diego. Esta nova periodicidade está alinhada com as práticas adotadas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e SP Águas para o Sistema Cantareira.
Foram recebidas um total de 192 contribuições provenientes de concessionárias, órgãos públicos e cidadãos interessados. Destas manifestações, 89 levaram à melhoria do texto final da metodologia, evidenciando o caráter participativo do processo regulatório.
Projetos para aumentar resiliência
Além das iniciativas voltadas à gestão hídrica no âmbito do Comitê Integrado e sob a supervisão do Conselho Estadual sobre Mudanças Climáticas gerido pela Semil, durante a coletiva foi apresentado um conjunto de obras destinadas à resiliência hídrica que visam fornecer novos recursos hídricos ao sistema estadual.
Até o final de 2025, foram entregues pela Sabesp projetos como Transferência Itapanhaú — que acrescentou 2 mil litros por segundo ao fornecimento com investimento totalizado em R$ 161 milhões — e Transferência Guaratuba — com adição diária de 200 litros por segundo mediante aporte financeiro equivalente a R$ 10 milhões. Ademais, está sendo investido R$ 525 milhões na construção de 31 reservatórios nos centros situados na Região Metropolitana São Paulo, aumentando sua capacidade total em até 202.500 metros cúbicos. Essas obras se somam a outras iniciativas já implementadas que ajudam na ampliação da oferta hídrica geral.
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Até dezembro deste ano estão previstos investimentos significativos como tratamento por membrana no ETA Rio Grande — adicionando mais 500 litros por segundo com custo estimado em R$ 95 milhões — além do retrofit no ETA Baixo Cotia que elevará sua capacidade em mil litros por segundo mediante investimento totalizando R$ 357 milhões. Para o ano seguinte está agendada a conclusão da Transposição Billings-Taiaçupeba que trará mais 4 mil litros por segundo ao sistema bruta com aporte previsto em R$ 1,4 bilhão.
O programa estadual voltado à resiliência hídrica abrange todas as regiões com investimentos superiores a R$ 25 bilhões inclui obras significativas como as barragens Pedreira e Duas Pontes além do Sistema Adutor Regional (SAR) dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí; também estão sendo realizados desassoreamentos e revitalizações nos cursos d’água através do Programa Rios Vivos.
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