Desde o início de 2023, o Estado de São Paulo tem realizado um significativo trabalho de recuperação ambiental, abrangendo uma área equivalente a 9,5 mil campos de futebol, que corresponde a cerca de 10 mil hectares focados em nascentes e cursos d’água.
No total, mais de 41 mil hectares foram comprometidos para restauração, o que equivale a mais de 55 mil campos de futebol. Aproximadamente 24% desses esforços visam áreas diretamente ligadas à segurança hídrica do Estado.
Além disso, desde 2023, mais de 14 mil hectares passaram a ser considerados áreas protegidas. Dentre essas áreas está o Parque Estadual do Morro Grande, que abriga as nascentes do rio Cotia, responsável pelo abastecimento de água a cerca de 400 mil habitantes da Região Metropolitana.
Jônatas Trindade, subsecretário de Meio Ambiente da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), destaca que é impressionante que cerca de um quarto das áreas restauradas impacte diretamente na proteção dos recursos hídricos. “Isso demonstra que o Estado não apenas avança em escala, mas também na qualidade e na estratégia das ações”, ressalta. Ele acrescenta que a vegetação recuperada nas regiões de mananciais tem um papel vital ao reter água, facilitar a infiltração no solo e diminuir perdas por evaporação, contribuindo para a regularidade dos rios.
As áreas restauradas estão distribuídas segundo as Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHIs), permitindo que as políticas de restauração estejam alinhadas com a gestão hídrica. Por exemplo, a UGRHI do Pontal do Paranapanema concentra 14% das áreas em processo de recuperação desde 2023, ressaltando a prioridade dada às regiões com maior passivo ambiental.
O Estado também foca em regiões que abastecem sua população. Áreas como Cantareira e Guarapiranga recebem ações específicas para proteger nascentes e melhorar a qualidade da água.
Em Salesópolis, perto das nascentes do rio Tietê, foram implementadas ações que cobrem aproximadamente 60,9 hectares com o plantio de mais de 74 mil mudas nativas. Ao todo, são sete áreas em recuperação: cinco em Salesópolis e duas em Guarulhos, com foco na recomposição da vegetação e proteção dos cursos d’água.
Na mesma região, quatro projetos financiados pelo Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos) estão em andamento. Essas iniciativas incluem obras voltadas à recuperação ambiental e preservação das várzeas. As intervenções abrangem desde requalificação de áreas degradadas até melhorias na infraestrutura voltada à conservação das nascentes do rio Tietê e sua ligação com o sistema hídrico do Estado.
O Fehidro tem disponibilizado recursos para projetos de restauração florestal que totalizam aproximadamente R$ 45,9 milhões entre os já concluídos desde 2023 e os atualmente em execução. Esses projetos envolvem diagnósticos socioambientais, estudos técnicos e elaboração de planos para ações diretas voltadas à proteção das nascentes e recuperação dos ecossistemas em 54 municípios. “Trata-se de uma abordagem integrada para proteger mananciais e assegurar a segurança hídrica”, afirma Cristiano Kenji, subsecretário de Recursos Hídricos da Semil.
Financiamento climático
O progresso na restauração ambiental também se beneficia do Finaclima, um mecanismo estadual criado para captar recursos privados destinados a projetos relacionados à mitigação e adaptação às mudanças climáticas. O programa atualmente desenvolve novas frentes de atuação. Um projeto notável é o que visa restaurar 110 hectares em Área de Preservação Permanente (APP) no Assentamento Governador André Franco Montoro, localizado na região do Pontal do Paranapanema. A expectativa é consolidar até 700 hectares em restauração até o próximo ano. Iniciativas semelhantes estão sendo planejadas para Cantareira.
No âmbito do Cantareira, está sendo implementado um modelo baseado no Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), oferecendo suporte técnico e financeiro aos proprietários rurais. O incentivo pode chegar a R$ 9 mil por hectare com bônus adicionais para aqueles que alcançarem metas específicas de restauração.
Com os recursos já contratados, espera-se restaurar inicialmente 110 hectares no Pontal e outros 55 hectares no Cantareira. O objetivo final é atingir um total estimado em 700 hectares no Pontal e 100 hectares no Cantareira. Os recursos destinados para essas iniciativas podem alcançar R$ 30 milhões provenientes de compensações ambientais e outras fontes financeiras. As atividades no Pontal tiveram início em 23/4 e o plantio está programado para começar em novembro de 2026.
Estratégia hídrica e climática
Os dados disponíveis indicam que a restauração ambiental tornou-se uma prioridade nas políticas públicas do Estado. Ao focar em APPs e mananciais localizados em regiões vulneráveis ambientalmente, São Paulo reforça sua estratégia para proteção hídrica enquanto aumenta sua capacidade frente às mudanças climáticas. “Restauração não se trata apenas do plantio; envolve recuperar funções ecológicas essenciais relacionadas à produção e conservação da água”, conclui Jônatas Trindade.
Dentro do Programa Rios Vivos foi desenvolvido o Projeto Mananciais visando identificar ações necessárias para proteger os recursos hídricos no Estado paulista. Nesse contexto, foram avaliados 43 mananciais que exigem intervenções estruturadas para garantir segurança hídrica adequada.
Outro aspecto relevante deste projeto foi criar diretrizes técnicas para as 43 bacias hidrográficas analisadas; isso inclui orientações sobre uso sustentável da água, conservação do solo e prevenção contra assoreamento. Também foram elaborados manuais voltados ao investimento em programas relacionados ao pagamento por serviços ambientais com potencial geração de créditos carbono.
“As propostas apresentadas pelo Projeto Mananciais destacam a importância da gestão integrada dos recursos hídricos ao unir soluções voltadas à recuperação ambiental com medidas econômicas sustentáveis”, explica Nelson Lima, diretor da SP Águas ligada à Semil.
