Piratininga lança iniciativa de suporte para mulheres beneficiárias do Auxílio-Aluguel

Piratininga estabelece grupo de apoio para mulheres beneficiadas pelo Auxílio-Aluguel

Na cidade de Piratininga, situada na região de Bauru, um novo Grupo de Apoio e Fortalecimento foi criado para atender mulheres que recebem o Auxílio-Aluguel, uma iniciativa do Governo de São Paulo. O objetivo da prefeitura é proporcionar escuta qualificada e fortalecer essas mulheres, ajudando no rompimento do ciclo da violência e facilitando o acesso à rede de proteção e aos direitos garantidos. O Auxílio-Aluguel direcionado a vítimas de violência doméstica é uma ação desenvolvida pela Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado (SEDS).

“A metodologia adotada se baseia em uma abordagem acolhedora, participativa e emancipatória, fundamentada nos princípios dos direitos humanos, equidade de gênero e prevenção contra a revitimização”, explica Jamille Bento, gestora de Assistência Social do município. O programa promove nove oficinas que abordam temas como acolhimento, compreensão da violência, relações de gênero e desigualdade social, além dos direitos e da rede de proteção disponível. “As participantes podem ingressar em qualquer fase das oficinas e recuperar os conteúdos perdidos”, complementa Jamille.

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Conforme Jamille, as mulheres são encaminhadas ao grupo por meio da Delegacia de Polícia após a implementação de medidas protetivas ou quando buscam ajuda no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), relatando sua situação. As beneficiárias do Auxílio-Aluguel são automaticamente integradas ao programa e recebem acompanhamento nos grupos reflexivos.

Essa iniciativa conta com o suporte técnico da Divisão Regional de Assistência e Desenvolvimento Social (DRADS) em Bauru. “A DRADS nos orienta sobre capacitações para os profissionais envolvidos, um aspecto vital para expandir o conhecimento sobre a temática das mulheres em situação de violência”, destaca Jamille.

A diretora da DRADS Bauru, Angelita Maria da Costa, elogia a proposta: “Consideramos essa iniciativa extremamente bem-sucedida, pois várias participantes continuam ativas no grupo mesmo após superarem as dificuldades que levaram ao acesso ao Auxílio-Aluguel. Isso demonstra o fortalecimento dos vínculos sociais e a importância desse espaço como uma estratégia essencial para apoio, proteção e promoção dos direitos.”

Um exemplo é Leila*, 56 anos. Beneficiada pelo Auxílio-Aluguel durante um ano, ela relata que a ajuda foi crucial para manter suas finanças em ordem. Após suportar as constantes agressões do ex-marido alcoolista e agressivo — que não contribuía com as despesas domésticas — Leila decidiu romper essa relação por causa dos filhos. “O grupo me proporciona paz e tranquilidade enquanto me auxilia a superar meu passado. É um processo gradual, mas estou progredindo dia após dia”, compartilha.

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Joana*, 48 anos, também faz parte do grupo. Ela enfrentou um relacionamento abusivo com seu ex-marido ciumento e consumido pelo vício em álcool e outras drogas. Após diversas separações temporárias e episódios violentos, decidiu finalmente se separar e solicitar uma medida protetiva. Mãe solteira de duas filhas, Joana trabalha como diarista duas vezes por semana e ainda faz pães para vender. Atualmente recebendo o Auxílio-Aluguel, ela afirma que esse auxílio tem sido essencial para sua manutenção financeira.

“No grupo você acaba se fortalecendo enquanto ajuda outras mulheres que passaram por experiências semelhantes. Não temos ideia do número real dessas situações; são muitas mulheres envolvidas nisso. Essa troca nos ajuda muito”, reflete Joana.

Auxílio-Aluguel na região de Bauru

Na região bauroense, já foram concedidos 575 Auxílios-Aluguel a mulheres vítimas de violência doméstica desde o início do programa há pouco mais de um ano. No total no estado paulista, mais de 8 mil mulheres já receberam atendimento através dessa iniciativa. O investimento total na região chega a R$ 1,7 milhão, enquanto em todo o estado esse valor alcança R$ 24,1 milhões.

Os dados coletados pela SEDS referem-se aos repasses realizados entre fevereiro de 2025 e maio de 2026. A política pública atingiu 591 municípios em São Paulo, evidenciando sua abrangência e o papel fundamental das redes municipais na assistência social como chave para acesso ao benefício.

Instituído pelo Governo do Estado Paulista, o programa oferece assistência mensal no valor de R$ 500 por seis meses com possibilidade de prorrogação por igual período. Seu principal intuito é garantir condições adequadas para que mulheres em situação vulnerável possam se distanciar com segurança das relações abusivas.

“Para romper com o ciclo da violência doméstica é necessário mais do que coragem; são imprescindíveis apoio verdadeiro e condições concretas para um recomeço seguro. O Auxílio-Aluguel vai além do suporte financeiro; trata-se também de uma ferramenta que proporciona autonomia e dignidade para que essas mulheres possam reescrever suas histórias longe do temor”, declara Andrezza Rosalém, secretária de Desenvolvimento Social.

Mulheres com medida protetiva emitida pela Justiça podem solicitar o benefício desde que residam no Estado de São Paulo e estejam em situação vulnerável com renda não superior a dois salários mínimos até o momento da separação. O cadastro é realizado pelas redes municipais nos municípios participantes; após análise e aprovação da solicitação, os valores são disponibilizados por meio da Poupança Social no Banco do Brasil diretamente às beneficiárias.

Além disso, o programa busca articular políticas públicas municipais complementares ampliando assim o acesso a serviços sociais essenciais como orientação e acompanhamento às mulheres atendidas em todo o estado.

Onde buscar ajuda:

Na Assistência Social:
Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), Centros Especializados (CREAS) e Centros dedicados ao Atendimento à Mulher;
Na Saúde:
Unidades Básicas (UBS), Prontos-Socorros (PS) e hospitais;
Na Segurança Pública:
Delegacias da Defesa da Mulher (DDMs), Distritos Policiais (DPs) bem como Batalhões da Polícia Militar;
Nos órgãos do Sistema Judiciário:
Ministérios Públicos, Defensorias Públicas e Ordem dos Advogados.

*Nomes alterados para preservar a identidade das entrevistadas.

By Itatiba Hoje

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