Bombeiros de São Paulo mobilizam cães de resgate, mantimentos e equipamentos médicos para auxiliar vítimas do terremoto na Venezuela
Uma equipe do Corpo de Bombeiros de São Paulo está a caminho da Venezuela com o objetivo de participar das operações de busca e salvamento nas áreas devastadas pelo recente terremoto. O grupo traz consigo uma variedade de equipamentos voltados para o resgate em estruturas colapsadas, suprimentos médicos, alimentos, abrigos para as equipes e um vasto conhecimento adquirido em algumas das maiores tragédias enfrentadas nas últimas décadas.
Composta por 13 bombeiros militares, incluindo dois médicos, a missão paulista conta ainda com um membro da Defesa Civil Estadual e dois cães treinados para busca. Esta equipe se integra a uma força-tarefa brasileira que reúne 36 profissionais dos estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, todos prontos para auxiliar as equipes locais nas atividades de resgate.
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A major Daniela Santos Oliveira lidera a equipe e ressaltou que toda a operação foi cuidadosamente planejada para garantir independência desde a sua chegada ao país.
“Estamos indo como uma equipe totalmente autossuficiente em busca e salvamento urbano. Levamos tudo o que precisamos para não sobrecarregar quem já enfrenta uma situação tão difícil. A palavra-chave desta missão é autossuficiência”, afirma.
A oficial revelou que o grupo levará ferramentas necessárias para estabelecer uma base operacional própria e equipamentos capazes de acessar áreas devastadas, além de localizar possíveis sobreviventes sob os escombros.
Preparação técnica e emocional
Para muitos dos membros da missão, essa mobilização representa a continuação de um trabalho focado em salvar vidas em circunstâncias extremas.
A major Daniela já participou de diversas operações significativas, como o terremoto na Turquia, as enchentes no Rio Grande do Sul e o colapso da barragem em Brumadinho. Ela enfatiza que essas experiências destacam a importância da preparação emocional diante de situações de calamidade.
“As missões passadas nos ensinaram que precisamos estar bem preparados psicologicamente, além de manter nossa estrutura autossuficiente. Essa vivência nos trouxe novamente aqui, com expertise técnica para enfrentar um cenário tão complicado”, destaca.
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A capitã médica Fabiana Maria Ajjar também traz consigo experiências valiosas adquiridas em missões humanitárias tanto no Brasil quanto no exterior. Integrante do Comando de Aviação da Polícia Militar, ela se junta à equipe levando conhecimentos essenciais adaptados aos desafios específicos da região venezuelana.
“Cada situação exige uma estratégia única. Na Turquia lidamos com frio extremo e doenças respiratórias; agora estamos indo para uma área quente com outros riscos epidemiológicos. Estamos levando materiais e protocolos adequados para garantir a proteção da equipe e um atendimento eficaz”, explicou.
Cães farejadores ampliam chances de localizar sobreviventes
Dentre os integrantes da missão está a cadela Malina, uma pastora belga malinois com cinco anos, especialista em buscas complexas. Junto dela viaja também Kiara, uma cadela mais jovem que participará da operação visando adquirir experiência prática.
O sargento Laercio Leres, condutor de Malina e veterano da missão enviada à Turquia em 2023, destacou a importância do trabalho dos cães nas operações em estruturas colapsadas.
“Os cães ajudam as equipes de resgate ao eliminar áreas sem vítimas, definir regiões prioritárias e até indicar precisamente onde alguém pode estar. Em situações como terremotos há uma maior probabilidade de encontrar sobreviventes devido à formação de espaços onde as pessoas podem permanecer vivas por vários dias”, acrescenta.
Malina já comprovou suas habilidades em diversas ocasiões; recentemente localizou com vida uma pessoa desaparecida em Ribeirão Pires após buscas infrutíferas por outras equipes.
A capitã Karoline Burunsizian, porta-voz do Corpo de Bombeiros paulista, reiterou que a equipe embarca preparada para agir imediatamente e sem depender da infraestrutura local. “Não vamos contar com recursos daquele país nem ser mais um problema a ser resolvido no meio das dificuldades. Estamos levando profissionais qualificados internacionalmente e equipamentos apropriados para operações em estruturas colapsadas”, concluiu.
