Fapesp investe R$ 25 milhões em avanços tecnológicos de software e hardware

Visando incentivar a autonomia tecnológica do Brasil, a Fapesp anunciou a convocatoria PIPE Jornada Tecnológica Soberania Digital – Fase 1, destinada a pequenas empresas e startups situadas em São Paulo que estejam aptas a transformar desafios complexos em soluções inovadoras nas áreas de software e hardware com potencial global.

Com um total de R$ 25 milhões disponíveis, essa iniciativa tem como objetivo posicionar o ecossistema paulista na liderança de setores estratégicos, incluindo computação quântica, semicondutores e segurança cibernética. Além de oferecer recursos não reembolsáveis, o programa cria um ambiente favorável para a transformação de incertezas científicas em produtos e processos inovadores.

O coordenador de tecnologias e parcerias da FAPESP, Rodolfo Azevedo, explicou que esta chamada vai além do apoio financeiro convencional. Ela convida os empreendedores a provarem que, por trás de cada código ou protótipo de hardware, existe um “desafio tecnológico” que pode desafiar o status quo e atender às necessidades urgentes de uma sociedade cada vez mais conectada.

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“Se um candidato já tem total clareza sobre como funcionará seu projeto, então ele não está enfrentando um verdadeiro desafio tecnológico, o que torna sua proposta inadequada para o PIPE. O programa é voltado para financiar desafios tecnológicos”, esclareceu Azevedo durante um evento online realizado no dia 10 de junho, onde foram abordadas questões sobre a convocação.

Para se inscrever, as empresas devem estar localizadas no Estado de São Paulo e ter até 250 funcionários. Proponentes que ainda não constituíram uma empresa podem participar desde que o pesquisador responsável seja um dos sócios fundadores.

Cada proposta pode receber até R$ 500 mil em financiamento por um período máximo de 12 meses. A submissão deve ser realizada através do sistema SAGE da Fapesp e é importante atentar-se aos prazos: as pré-propostas devem ser enviadas até quarta-feira (24), seguidas pela apresentação das propostas completas até 24 de agosto de 2026.

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Azevedo aconselhou os proponentes a realizarem o cadastro no sistema o quanto antes, especialmente se não estiverem registrados na base da FAPESP. “Realize seu cadastro prontamente. Levamos pelo menos 48 horas para validar os registros das empresas”, alertou o coordenador.

Eixos temáticos

A convocação contempla sete eixos temáticos distintos. O eixo dedicado à Inteligência Artificial Aplicada e Generativa foca na criação de modelos e algoritmos para automação de serviços complexos, personalização do ensino, suporte à decisão clínica e otimização financeira. O objetivo é desenvolver sistemas inteligentes que aumentem a produtividade em ambientes desafiadores.

O tema relacionado à Microeletrônica e Semicondutores abrange desde o design até a fabricação de chips e circuitos integrados, com foco no fortalecimento do hardware local voltado à indústria nacional e dispositivos da internet das coisas (IoT). A intenção é apoiar iniciativas que desenvolvam hardware brasileiro robusto capaz de sustentar inovações futuras em software.

No âmbito da Conectividade e Cidades Inteligentes, busca-se promover o desenvolvimento dos hardwares e softwares necessários para viabilizar a quinta geração da internet móvel (5G) e suas futuras evoluções (como 6G). Esse eixo envolve integração satelital e gestão urbana baseada em dados provenientes de sensores. “É uma área que visa transformar grandes cidades em ambientes mais eficientes e seguros por meio da tecnologia”, destacou Azevedo.

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O tópico sobre Tecnologias Quânticas e Sensores abrange criptografia pós-quântica — essencial para proteger contra ameaças futuras geradas por computadores quânticos — além de sensores quânticos avançados para metrologia e sistemas sofisticados de geolocalização. Este eixo é ideal para empresas na vanguarda da física aplicada.

Por outro lado, o eixo dedicado à Cibersegurança e Proteção de Dados concentra-se em arquiteturas como Zero Trust (confiança zero), privacidade dos dados, proteção das infraestruturas críticas (energia, água, telecomunicações) e ferramentas avançadas contra fraudes digitais por meio da análise em tempo real visando mitigação dos riscos financeiros.

As Tecnologias Habilitadoras englobam computação em nuvem (cloud computing), edge computing (processamento próximo ao local onde os dados são gerados), fotônica, processamento natural da linguagem, blockchain para registro seguro das informações e computação de alto desempenho (HPC). “Se sua empresa desenvolve as ‘ferramentas’ que possibilitam outras inovações, este é o espaço ideal para você submeter sua proposta”, afirma Azevedo.

Uma novidade desta iniciativa é o eixo voltado à Divulgação Científica, que busca novas maneiras de comunicar conhecimentos científicos e tecnológicos ao público geral. O intuito é apoiar a criação de produtos ou processos — como novas plataformas ou estratégias gamificadas — que expliquem temas complexos como soberania digital e inteligência artificial para diversos públicos usando os próprios projetos das empresas como exemplos práticos.

“Essa estrutura temática oferece às startups não apenas uma oportunidade para resolver problemas imediatos do mercado mas também uma chance para se posicionarem dentro do ecossistema tecnológico que São Paulo pretende fortalecer nos próximos anos”, avaliou Azevedo.

Estruturação da equipe

Um dos pontos positivos deste programa é a flexibilidade quanto ao uso da reserva técnica; esses recursos podem ser utilizados tanto para cobrir taxas de incubação em instituições credenciadas quanto para investimento em capacitação. No entanto, a formação da equipe é um aspecto crítico durante a avaliação das propostas.

“É fundamental ter uma percepção realista sobre sua capacidade contratual na região ou no círculo social que você consegue abranger”, ressaltou Azevedo, enfatizando que a equipe deve incluir membros residentes no Estado de São Paulo com disponibilidade horária compatível com as atividades planejadas.

Para garantir continuidade após a Fase 1 do projeto, as empresas poderão submeter propostas para a Fase 2 Indireta após completarem oito meses do projeto inicial seguindo as regras vigentes naquela ocasião.

A coordenação recomenda aos interessados consultar o edital completo assim como as perguntas frequentes disponíveis no portal da FAPESP antes da submissão das propostas.

Ao preencher os campos adicionais na pré-proposta, os proponentes devem descrever claramente o problema enfrentado, a incerteza técnica envolvida e as oportunidades mercadológicas disponíveis. Como destacou Azevedo, esse resumo será publicado no site da FAPESP caso o projeto seja aprovado; portanto é essencial proteger informações sensíveis sobre diferenciais competitivos durante essa redação.

By Itatiba Hoje

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