Frio agrava sintomas da fibromialgia; confira dicas de cuidados essenciais

Temperaturas baixas podem agravar dores em indivíduos com fibromialgia; saiba como se cuidar

A diminuição das temperaturas durante o inverno tende a acentuar as dores em pessoas que sofrem de fibromialgia. Conforme esclarece a fisiatra Lin Tchia Yeng, que coordena o Curso Interdisciplinar de Dor da USP e supervisiona a reabilitação no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da mesma instituição, essa intensificação se deve a uma combinação de fatores fisiológicos e comportamentais que afetam o quadro clínico nesta estação do ano.

A especialista aponta que o frio desencadeia uma resposta natural no corpo. “Com as baixas temperaturas, é comum nos encolhermos, o que reduz nossos movimentos habituais e provoca um aumento na tensão muscular. Enquanto isso pode causar desconforto leve em pessoas sem dor crônica, aqueles com fibromialgia sentem esse efeito de forma muito mais intensa”, explica.

Ela também destaca que uma das principais características da fibromialgia é a dor difusa acompanhada pela sensibilização do sistema nervoso, tanto periférico quanto central. Em outras palavras, o corpo passa a interpretar estímulos comuns como mais fortes e frequentemente dolorosos.

Frio como fator desencadeante dos sintomas

Nesse cenário, fatores ambientais típicos do inverno — como ventos frios e mudanças bruscas de temperatura — podem atuar como gatilhos adicionais para a dor. A médica enfatiza que outros estímulos sensoriais, como ruídos altos ou odores intensos, também são percebidos de maneira amplificada por quem tem fibromialgia. Assim, embora o frio não seja o único responsável pela piora dos sintomas, ele contribui para aumentar a sensação geral de desconforto.

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Outro ponto importante mencionado é a alteração comportamental nos meses frios. Muitas pessoas tendem a praticar menos atividades físicas, ficam mais tempo sentadas, deixam de lado exercícios de reabilitação e até suspendem atendimentos médicos ou terapias. “Essa diminuição da atividade física costuma piorar a rigidez muscular e intensificar a dor, criando um ciclo em que o sedentarismo agrava sintomas já existentes”, alerta.

A importância do movimento para romper o ciclo da dor

Para evitar esse agravamento das dores, é essencial manter-se ativo mesmo dentro de casa. Exercícios simples como alongamentos, mobilidade articular, contrações isométricas leves e atividades voltadas ao fortalecimento podem ajudar na redução da tensão muscular e na melhoria da funcionalidade.

A especialista recomenda evitar longos períodos sentados, especialmente em ambientes de trabalho ou estudo. “O ideal é realizar pausas regulares a cada 50 ou 60 minutos para levantar-se e se movimentar, aliviando assim a sobrecarga nas regiões lombar e cervical”, orienta.

Além da prática de atividades físicas, cuidados térmicos são igualmente importantes. O uso de roupas apropriadas para o frio, compressas quentes, bolsas térmicas e adesivos com efeito aquecedor pode ajudar na relaxação dos músculos e na diminuição da dor localizada. Técnicas simples de automassagem com bolinhas para liberação miofascial também podem ser eficazes no alívio dos pontos tensos.

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A médica menciona ainda métodos tradicionais de aquecimento como o escalda-pés, onde os pés são mergulhados em água quente frequentemente misturada com ervas ou aromas. Esse cuidado pode proporcionar relaxamento e aumentar a sensação de conforto térmico, ajudando indiretamente no controle da dor.

Alimentação influencia no bem-estar

Outro elemento discutido pela especialista é a alimentação durante os meses mais frios. Ela observa que é comum uma diminuição no consumo de saladas cruas e um aumento na ingestão de sopas nesta estação. “Embora as sopas sejam uma boa escolha por conterem legumes e verduras, é crucial que também incluam fontes proteicas”, ressalta.

As proteínas desempenham papéis fundamentais no organismo ao contribuir para a formação de enzimas, hormônios, neurotransmissores e manutenção da massa muscular. Quando há insuficiência na ingestão proteica, o corpo pode recorrer às reservas musculares para obter aminoácidos, resultando em perda muscular ao longo do tempo.

Esse processo pode piorar a sensação de fraqueza em pacientes com dor crônica e aumentar seu desconforto. Portanto, recomenda-se manter uma alimentação balanceada com uma adequada combinação de proteínas, fibras e carboidratos complexos. “Eu costumo brincar que isso é como um canibalismo do próprio corpo. As pessoas precisam continuar funcionando independentemente do que comem. Não podemos esquecer que somos formados pelo que ingerimos e principalmente pelo que conseguimos absorver”, afirma.

Cuidado deve ter abordagem multidimensional

Por fim, Lin Tchia Yeng enfatiza que o tratamento da fibromialgia no inverno deve abranger mais do que apenas medicamentos. “O foco não deve ser somente em controlar a dor; é necessário adotar um conjunto abrangente de hábitos saudáveis que inclua movimento regular, aquecimento corporal adequado, alimentação equilibrada e continuidade dos cuidados médicos.”

Segundo ela, essa combinação estratégica ajuda não apenas a reduzir a intensidade dos sintomas mas também melhora significativamente a qualidade de vida durante os períodos mais frios do ano.

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By Itatiba Hoje

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