Guia para Observação de Aves da Mata Atlântica é lançado em SP
A Mata Atlântica no estado de São Paulo abriga alguns dos mais importantes destinos do Brasil dedicados à observação de aves e ao ecoturismo. Com uma rica diversidade que inclui manguezais, restingas, trilhas e áreas preservadas, os visitantes têm a oportunidade de ver espécies raras e apreciar as belezas naturais nas regiões da Baixada Santista, Vale do Ribeira e interior paulista. Para facilitar a experiência dos turistas, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) divulgou a segunda edição do Guia de Roteiros de Observação de Vida Silvestre.
Este guia apresenta locais específicos para birdwatching — a prática de observar aves — e destaca pontos onde é possível observar tanto espécies nativas quanto migratórias que habitam a Mata Atlântica. Além disso, o material promove o acesso a itinerários relacionados ao turismo sustentável e à conservação ambiental.
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A conexão entre a observação da fauna e a Mata Atlântica remonta à história de São Paulo. No ano de 1560, o padre José de Anchieta documentou detalhadamente a flora, fauna e as paisagens locais na famosa “Carta de São Vicente”, considerada um dos primeiros relatos sobre a biodiversidade no Brasil.
Costa da Mata Atlântica
A Região Turística Costa da Mata Atlântica abriga alguns dos melhores locais para observação de aves no estado. Essa área compreende municípios da Baixada Santista, como Santos, São Vicente, Praia Grande, Peruíbe, Mongaguá, Itanhaém, Bertioga e Guarujá.
Dentro dessa região, encontram-se estuários, manguezais, passarelas ecológicas e trilhas do Parque Estadual da Serra do Mar, incluindo os núcleos Itutinga-Pilões e Curucutu. Entre as aves mais frequentemente avistadas estão o tiê-sangue, o tangará, o guará-vermelho, o gavião-pombo-pequeno e o raro formigueiro-do-litoral.
Praia Grande
Na entrada da Praia Grande, após atravessar a Ponte do Mar Pequeno, localiza-se o Parque Ézio Dall’Acqua (Portinho), uma área de manguezal aberta à observação avifaunística. Este espaço já registrou 165 espécies diferentes entre aves residentes e migratórias.
O trajeto para observação se estende por cerca de 10 quilômetros e pode ser percorrido em duas a três horas. Os melhores períodos para visitação são durante o outono, inverno e primavera. Entre as espécies que podem ser vistas estão o guará-vermelho, a saíra-sapucaia, a saíra-de-sete-cores, o araçari-banana, a saracura-matraca e o jaó-do-sul.
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Peruíbe
Em Peruíbe, o bairro Guaraú está cercado pela Estação Ecológica Juréia-Itatins e possui áreas preservadas da Mata Atlântica com manguezais, restingas, trilhas e cachoeiras. Este local é reconhecido como um dos principais destinos paulistas para avistar aves costeiras e espécies que habitam ambientes úmidos.
Os turistas podem observar aves como saíra-sete-cores, araçari-banana, saracura-matraca, jaó-do-sul e saíra-sapucaia. O período mais recomendável para observação vai de março até novembro.
Durante os mesmos meses (março a novembro), a praia Taniguá torna-se um ponto importante para descanso das aves migratórias. Espécies como piru-piru, maçarico-de-papo-vermelho, batuiruçu e maçarico-branco aproveitam essa região ao longo do seu trajeto migratório.
Parque Morro do Ouro
Localizado em Apiaí, o Parque Natural Municipal Morro do Ouro protege áreas da Mata Atlântica em um relevo montanhoso com vegetação densa. Este espaço conta com trilhas e mirantes voltados para observadores interessados na avifauna típica das encostas.
As espécies que podem ser vistas nesta área incluem gavião-de-penacho, tangará-da-serra e sabiá-una. Setembro é considerado o melhor mês para quem deseja observar aves no parque.
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Parque Carlos Botelho
Situado aproximadamente 206 quilômetros da capital paulista, o Parque Estadual Carlos Botelho abriga cerca de 330 espécies diferentes de aves — representando quase 20% da avifauna brasileira.
No Núcleo São Miguel Arcanjo há rotas específicas destinadas ao birdwatching com trilhas acessíveis que atravessam bosques formados por araucárias além das áreas regeneradas da Mata Atlântica ao longo das margens das represas. O percurso tem cerca de dois quilômetros entre ida e volta.
Mata Atlântica inspirou primeiros relatos sobre fauna brasileira
Desde os tempos coloniais que a biodiversidade presente na Mata Atlântica paulista já despertava interesse. Em 1560, José de Anchieta finalizou sua “Carta de São Vicente”, um documento escrito em latim e espanhol que descrevia elementos como fauna, flora e geografia local. Em suas anotações sobre as aves encontradas na região tropical brasileira ele comparou-as às europeias como forma de tornar suas observações mais compreensíveis aos leitores daquela época. Ele menciona que “não é fácil dizer quanta diversidade há de aves ornadas de várias cores”.
Além disso, Anchieta também fez referência aos beija-flores — denominados pelos nativos como “guainumbi” — sublinhando suas características diminutas bem como seus hábitos únicos que continuam sendo símbolos importantes da biodiversidade nacional.
