Iniciativa aplica IA para mapear regiões vulneráveis à dengue

A dengue permanece como um dos principais desafios enfrentados pela saúde pública no Brasil. Embora seja amplamente reconhecido que fatores climáticos, como a temperatura e a umidade, desempenham um papel significativo na incidência da doença, uma equipe de pesquisadores do Instituto Pasteur de São Paulo (IPSP), uma instituição criada em parceria com o Instituto Pasteur de Paris e a USP, defende que há aspectos ainda não explorados em escalas mais minuciosas do ambiente urbano que podem explicar os surtos.

Para aprofundar essa investigação, o IPSP está conduzindo um projeto de pesquisa que visa unir inteligência artificial a dados climáticos, indicadores ambientais, infraestrutura urbana e percepções da população sobre vacinação. O intuito é desenvolver um sistema que identifique áreas com maior risco para a transmissão da dengue em São Paulo. A meta é entender como fatores climáticos, condições urbanas e aceitação da vacina se inter-relacionam e influenciam os surtos da doença.

Sob a coordenação do pesquisador Mauro César Cafundó de Morais, que lidera o Laboratório de Clima e Saúde do IPSP, a iniciativa conta com a colaboração de parceiros tanto nacionais quanto internacionais, incluindo o Institut Pasteur de Paris.

Além dos aspectos climáticos tradicionais, como temperatura e umidade, os cientistas também pretendem investigar variáveis menos estudadas em epidemiologia, como ilhas de calor urbanas, acesso à água potável, coleta de esgoto e cobertura de serviços públicos essenciais.

A suposição é que a interação desses diversos fatores possa elucidar por que certas áreas apresentam taxas mais elevadas de dengue em comparação com regiões vizinhas que enfrentam as mesmas condições sazonais.

Mapas de risco em escala local

Uma das inovações mais significativas do projeto é a criação de modelos que possibilitam gerar mapas de risco com alta resolução espacial. Diferente dos sistemas existentes que utilizam dados agregados para grandes cidades ou regiões extensas, o IPSP busca identificar padrões em escalas bem menores, abrangendo bairros e até quarteirões no futuro.

Essa abordagem poderá otimizar o uso dos recursos públicos destinados ao combate à dengue.

Espera-se também que esses modelos contribuam para o desenvolvimento de sistemas de alerta precoce, permitindo aos gestores públicos tomar medidas preventivas antes que surtos se tornem mais graves.

Escuta social e percepção da vacinação

Outro aspecto importante do projeto é o monitoramento das redes sociais para avaliar como a população percebe a nova vacina contra a dengue, recentemente incluída nas estratégias preventivas do país.

Utilizando uma técnica chamada escuta social, os pesquisadores buscam identificar dúvidas e preocupações dos cidadãos através do conteúdo disseminado em plataformas digitais. O foco não é verificar informações específicas individualmente, mas sim captar tendências coletivas sobre comportamentos e confianças relacionadas à vacinação.

O estudo também planeja avaliar como os profissionais da saúde percebem a vacina, considerando-os elementos essenciais na recomendação vacinal e na construção da confiança pública.

By Itatiba Hoje

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